N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Entrevista: Cynthia Mara Miranda

Depoimento Concedido por Cynthia Mara Miranda, Conselheira Municipal dos Direitos da Mulher e Membro da  Câmara Técnica Estadual de Gestão e Monitoramento do Pacto de Enfrentamento da Violência contra a Mulher do Tocantins.

IARAS -Início de suas atividades na UFT (ou antes- um pouco de sua vida acadêmica).

CMM - Iniciei o curso de graduação em Comunicação Social em 2000, período em que comecei me engajar no movimento feminista e movimento feminista no Estado do Tocantins. O interesse em estudar a imagem da mulher na TV veio naturalmente  do meu engajamento nos movimentos.

IARAS - Na área do ensino, qual a que você se inscreve, quando e como você iniciou a desenvolver os estudos sobre a questão da mulher e as teorias de gênero?

CMM -  Sou professora efetiva da UFT desde 2010. Desde então, tenho ministrado disciplinas na graduação em Comunicação Social como introdução à fotografia, antropologia cultural, política brasileira e na pós-graduação disciplinas como Políticas Públicas para Juventude e Políticas Públicas de Igualdade.

IARAS - E sua inserção em outros grupos de estudos e nos movimentos de mulheres no Tocantins?

CMM - Como dito, comecei a minha inserção nos movimentos de mulheres na graduação e no final da graduação, no momento da elaboração da monografia, passei a integrar o Núcleo de Estudos das Diferenças de Gênero (NEDIG), sendo orientada pela coordenadora do núcleo, a professora doutora Temis Gomes Parente.

IARAS - Quais as principais linhas do estudo de gênero que você tem desenvolvido até hoje?

CMM - As linhas que tenham atuado estão relacionadas aos estudos da imagem da mulher na mídia, desenvolvimento regional na perspectiva de gênero, mulher e política e políticas públicas de igualdade.

IARAS - Principais correntes que você tem estudado nessa teoria?

CMM - Teoria dos Estudos Culturais, Teoria dos Novos Movimentos Sociais, Teoria dos papéis sociais de Gênero. Não me defino como seguidora de uma determinada linha teórica, os objetos de estudos vão abrindo as possibilidades teóricas para mim.

IARAS - Você considera importante a inserção desse conceito nos estudos atuais, ao tratar de diversidade social (e marcadores sociais) e a conexão com as demais áreas das ciências de modo geral?

CMM - Não consigo dissociar dos meus estudos a conexão da diversidade social e marcadores sociais em todos os âmbitos da ciência.

IARAS - Quais os principais autores que você utiliza nesses estudos?

CMM - Lia Zanotta Machado, Lourdes Bandeira, Joan Scott, Pauline Rankin, Carole Pateman, Celi Pinto, Louise Chappell, Anne Phillips, Sonia Alvarez etc.

IARAS - Considerando sua contribuição na pesquisa no norte, e pode-se dizer brasileira, sobre gênero e sua área específica, quais os trabalhos que você considera importantes nas discussões sobre a diversidade social?

CMM - Atualmente estou desenvolvendo as seguintes pesquisas: Desenvolvimento Regional sob a perspectiva de gênero: um estudo sobre a atuação organizada das mulheres nos Organismos Governamentais de Políticas para Mulheres no Amazonas e Tocantins e Integração das políticas de gênero no Estado: Tocantins, Pará e Amazonas em perspectiva comparada.

IARAS - No seu ponto de vista, há avanços da mudança de olhar à nova situação da orientação sexual de brasileiros/as?

CMM - Não considero que há avanços, pelo contrário, há retrocessos. Temos observado o crescimento do conservadorismo em nossa sociedade e crimes homofóbicos estão crescendo. Na Câmara dos Deputados, a presença de um pastor como presidente da Comissão de Direitos Humanos evidenciou como o conservadorismo é forte e como as bancadas religiosas têm ganhado força e êxito em suas ações. É lamentável esse cenário.

Cynthia Mara Miranda é Doutora e Mestra em Ciências Sociais (UNB) e graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Pesquisadora do Núcleo de Estudos das Diferenças de Gênero (NEDIG/ UFT), membro do Comitê Científico da UFT, Conselheira Municipal dos Direitos da Mulher e membro da  Câmara Técnica Estadual de Gestão e Monitoramento do Pacto de Enfrentamento da Violência contra a Mulher do Tocantins, desde 2011. Professora Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e do curso de Comunicação Social da UFT. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.